
Já não suporto olhar frente a frente ao espelho, já não posso aguentar a troca de olhares vazios, já não posso mais reconhecer o reflexo, totalmente diferente de quem eu costumava ser, tão decaido, tão jogado por ventura de cara no chão. Completamente em pedaços, uma mente vazia, um coração morto por muitos golpes, todo organismo em abstinência de substancias químicas. Olho para o meu reflexo e tenho vontade de chorar, na verdade choro, internamente. É doloroso de certa forma você ver sempre a mesma expressão caída, triste, vazia e amarga. É pra mim um tanto assombroso atacar frente a frente meu inimigo, meu próprio eu. Ai mais uma verdade sobre mim, sou eu que me venço e eu mesmo que me destruo, eu ando tão decadente perdida sobre a escuridão da noite, tão cega com a luz do sol, já não sei o que é ser sóbria, me prendi em um mundo onde tudo é alegria, onde tudo são coisas legais, onde toda a felicidade e o riso são apenas ilusão. Me perdi sozinha entre os caminhos orgulhosos, eu me sinto mal. Alucino com a minha figura tão grosseira e fria gritando sem se quer um respingo de temor, fraca, fracassada, falsa. E o porque eu sei, é o amor, é a mascara, a nova armadura que não protege, esmaga se auto-destroi. É mais uma peça do destino pra me esmagar entre paredes brancas frias, e olhares venenosos. É apenas mais um cavalo de Tróia invadindo meu sistema superficial, perdendo tudo. Morrendo aos poucos, morrendo pra sempre...